segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

“Hermenêutica ecológica de textos bíblicos”

Resumo do texto “Hermenêutica ecológica de textos bíblicos” de Haroldo Reimer.




Acredito que esta reflexão se propõe a tratar algumas considerações importantes a respeito da busca de uma hermenêutica que se dê conta da questão ecológica na leitura bíblica atual.
Se faz, necessário, levar em conta que o tema ecologia é marcante nos debates atuais, sendo assim, a teologia cristã teve que buscar respostas. Sua contribuição para as causas da crise da relação ser humano-natureza, são significativas, por um lado, e, ao mesmo tempo, repensam seus dogmas dentro da perspectiva da crise ecológica.
Gosto do argumento de Haroldo Reimer quando ele coloca : “ A tese básica é a de que a leitura de textos bíblicos em perspectiva ecológica não é um modismo na atualidade, mas está assentada na perspectiva de textos desta obra canônica.”
Para realizar uma leitura bíblica, seja “popular” ou acadêmica, haverá sempre uma discussão sobre como encontrar e resgatar características da fé bíblica que ressaltam uma relação mais harmoniosa entre as criaturas humanas e a criação como um todo.
A preocupação com a destruição ambiental e a consequente ameaça às diversas formas de vida no planeta Terra, principalmente do ser humano, tem sido motivo de inúmeros encontros, seminários para se discutir o futuro da Terra. E, isso o autor coloca com propriedade em seu texto.
Uma das conclusões que podemos chegar por meio do mútuo diálogo/influência entre teologia da criação e hermenêutica bíblica é que tende-se a relativizar a idéia de poder e dominação nas narrativas de criação bíblicas. A perspectiva de co-criador e cuidador da natureza como criação é pressuposto básico de uma leitura ecológica da Bíblia para o papel do ser humano. Investigar e desvendar os meandros de noções presentes em textos bíblicos que nos encaminham a uma leitura de superioridade e de instrumentalização da natureza e de seus recursos.
O mandato de domínio, em Gn 1.26-28 trata de uma “interpolação secundária”. Ou seja, a noção original de um paraíso que abrigava harmoniosamente todos os seres no relato de Gn 1 foi perturbado com a introdução, por parte de copistas, de referências a subjugação da criação por parte do ser humano no texto de Sl 8.6-9. No entanto, esta interpretação por mais plausível que seja, não explica suficientemente a complexidade de sentido expresso no texto lido atualmente. Em função da percepção do acúmulo de apropriações de sentido dadas ao texto na tradição judaica e cristã, e levando-se em conta os relatos da criação no conjunto do Antigo Testamento, logra-se êxito em afirmar que a idéia de poder-dominação provém da apropriação de sentido posterior à origem do texto, proveniente de várias influências ideológicas do Antigo Oriente.
Embora isso possa parecer nos levar à relativização dos textos, é importante ressaltar que justamente por causa desta interpretação se entende que em ambos os relatos de Gênesis fica evidente que os humanos não podem fugir de sua situação como criatura e seu destino, portanto, está ligado ao destino da criação. Esta tese converge diretamente com a noção de ecologia social: as complexas relações ecológicas dos seres humanos ao longo da história contêm mecanismos de aprendizagem, que continuam a operar ainda hoje. Por isso, a cultura e o conhecimento humano se inserem num processo evolutivo que tem uma raiz biológica/da e na natureza.
Para tanto, a interpretação bíblica precisou e precisa ressignificar seus pressupostos hermenêuticos.
Gosto muito do que o texto nos apresenta em relação a tradição legislativa de Israel, a qual está codificada na Torá podendo ser encontrado no livro de Deuteronômio uma série de textos que podem ser criativamente relidos em perspectiva ecológica.


É o caso de Dt 22:6-7, que prescreve a forma que deveriam lidar com os pássaros e ninhos de aves. O de Dt 23:13-15, no qual há uma recomendação de higiene e saneamento básico, e o de Dt 20:19-20, que semelhantemente, também encontramos ordens claras para que se evitasse o desmatamento, algo que temos visto acontecer muito em nossos dias.
Para concluir quero citar a conclusão do texto de Reimer. “A Bíblia como livro tem suas intencionalidades enquanto obra, e a dimensão ecológica pode não constituir o seu centro. Ainda assim, enquanto livro de textos fundantes das tradições judaico cristãs é importante ler estes textos na consciência do “caminho mental” que busca ressaltar mais a dimensão holística e superar as fragmentariedades do viver. A perspectiva ecológica deve ter presença assegurada na leitura da Bíblia, buscando sempre uma integração entre o grito dos pobres e os gemidos da criação.”

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