segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A Modernidade e a identidade do Protestantismo

À luz do texto-base apresente a sua própria opinião a respeito da relação entre a Modernidade e a identidade do Protestantismo, com destaque para a igreja no Brasil.




Começaremos nossa reflexão a partir de Antônio Gouvêa Mendonça, que cunhou o termo “protestantismos”. “Ao contrário da tradição católica, o protestantismo que surgiu da Reforma do século XVI foi muito mais longe na variedade de tendências e instituições que gerou, e desde cedo revelou-se incapaz de conservar-se unido(...) .
O protestantismo inseriu-se no Brasil no começo do século XIX. Seu primeiro impulso foi basicamente de natureza imigratória e decorreu da abertura dos portos brasileiros ao comércio inglês (1810) e do incentivo governamental à imigração européia, particularmente alemã, poucos anos depois. Todavia, a população brasileira só foi diretamente afetada pela presença de cristãos não-católicos quando começaram a chegar ao Brasil, nos anos 1850, os primeiros missionários protestantes que vieram com a finalidade explícita de propagar sua fé. Esse impulso deu origem ao chamado “protestantismo de missão”. Através dele instalaram-se no Brasil a Igreja Congregacional, a Presbiteriana, a Metodista, a Batista e a Episcopal.
Direta ou indiretamente, as Igrejas brasileiras, ao menos de origem missionária, alimentam-se das idéias da cultura religiosa norte-americana. Como nem sempre as Igrejas norte-americanas são fiéis ao antigo ideário dos fundadores da sua nação, há choques e atritos que se propagam como em ondas até as Igrejas brasileiras. Esse fator é um dos pontos importantes para se compreender o comportamento das Igrejas brasileiras em relação à sociedade civil, já que elas tendem, talvez por serem minoritárias e, portanto, sujeitas ao esforço constante de sua auto-afirmação, a acompanhar as ondas do conservadorismo das Igrejas norte-americanas. É por isso que há um visível descompasso com a sociedade, descompasso que é historicamente explicável: no momento em que o protestantismo foi inserido na sociedade brasileira, esta se encontrava num estágio de desenvolvimento significativamente anterior à sociedade norte-americana; por isso o protestantismo foi recebido como vanguarda do progresso e da modernidade. Mendonça ainda nos fala de um fator crucial: O protestantismo missionário brasileiro não veio do continente europeu, mas dos Estados Unidos, cujo protestantismo tinha raízes na Reforma Inglesa. Talvez seja por isso que o protestantismo que chegou ao Brasil tenha tido intenções fortemente pragmáticas: pretendia ser elemento transformador da sociedade através da transformação dos indivíduos. Embora o pragmatismo caracterize o protestantismo no Brasil, esse protestantismo está ligado, na medida em que se expressa através de Igrejas, à Reforma do século XVI.
O Brasil é a capital mundial do protestantismo, seja, pentecostal ou tradicional.

Bibliografia

* MENDONÇA, A. G. e VELASQUE, Filho P. Introdução ao protestantismo no Brasil. São Paulo: Loyola, 1990, p.66.
* VIEIRA, David Gueiros. O protestantismo, a maçonaria e a questão religiosa no Brasil. Brasília: UnB, 1980.
* DE ARAÚJO, João Dias. Inquisição sem fogueiras. Rio de Janeiro: Instituto Superior de Estudos da Religião, 1985, p. 5.

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